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rodrigando

Aqui falo de mim, dos que amo, dos meus sonhos, das minhas alegrias e tristezas e de tudo o que gosto...ou não.

rodrigando

Aqui falo de mim, dos que amo, dos meus sonhos, das minhas alegrias e tristezas e de tudo o que gosto...ou não.

QUE FIM DE VIDA?

rodrigando, 11.11.09

 Há dias em que me sinto particularmente triste e ontem e hoje foram dias assim.

Embora o assunto já não me diga particularmente respeito, a verdade é que me entristece.

A minha ex-sogra está gravemente doente e há dias caiu, quando se dirigia para a casa de banho. Como se trata de uma pessoa relativamente forte e idosa e o marido já não tinha força para a levantar do chão,  teve de pedir ajuda a um vizinho para a levantar.

E isto aconteceu já três vezes, deixando-a de tal forma magoada que a partir daí recusa-se a levantar-se para ir à casa de banho.

Felizmente que no ultimo fim de semana os filhos e o meu filho mais velho foram visitá-la e, ao saberem da situação, viram que a única forma de a resolver era com fraldas.

Então levantou-se outro problema: Pôr-lha.

No meio de muita vergonha por parte da senhora e de pouco àvontade por parte dos filhos e do neto lá conseguiram.

E agora? Cada um tem a sua vida e o seu trabalho não podem vir mudá-la sempre que ela precisa. O marido já não tem condições físicas para o fazer.

Valeu-lhes o facto de, depois de saber o que se passava eu me ter lembrado de ir com o meu filho ao Lar da Igreja, que tem apoio domiciliário e que com  boa vontade,  disponibilizaram duas funcionárias que vão lá a casa duas vezes por dia lavá-la e mudá-la.

Mas a última muda é às 16,30 porque o serviço acaba às 17.

E depois tem que se manter com a mesma fralda até ao dia seguinte!

Aos fins de semana terá que ser a família a fazê-lo mas os filhos moram longe.

Eu gostava de ajudar mas fisicamente também me encontro debilitada e aos fins de semana com o tratamento que tenho que fazer não tenho mesmo condições. Também não quero aborrecimentos com a companheira do meu ex-marido mas isso era o que menos me preocupava se pudesse ajudar.

Com a doença que ela tem não terá muito mais tempo  porque o cancro já passou dos intestinos para o figado e sei que se ela tiver que ir para um Lar isso vai apressar-lhe a partida.

Por isso já mais do que uma vez dei comigo a pensar que fim de vida é este?

Perde-se tudo!. A nossa intimidade tem que ser devassada por pessoas desconhecidas que, por muito correctas e educadas que sejam, por muito que tentem e até consigam, atenuar o mal estar e o sofrimento ,é sempre uma devassa de nós.

Perdemos o nosso lar e o contacto com tudo aquilo de que nos rodeámos e amámos durante a vida se tivermos que ir para um Lar.

De que lhe valeu uma vida de trabalho e de privações, pensando numa velhice estável se agora não a pode usufuir? 

É a minha ex-sogra. Legalmente já nada nos liga mas é a avó dos meus filhos. Custa-me sabê-la a sofrer,  custa-me o sofrimento dos meus filhos e, até, custa-me ver o sofrimento do meu ex-marido. Há muitos anos que perdi a minha mãe e sei bem avaliar o que eles estão a passar.

Bolas! Para se morrer não devia ser preciso sofrer tanto!

 

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