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rodrigando

Aqui falo de mim, dos que amo, dos meus sonhos, das minhas alegrias e tristezas e de tudo o que gosto...ou não.

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Aqui falo de mim, dos que amo, dos meus sonhos, das minhas alegrias e tristezas e de tudo o que gosto...ou não.

A MENINA QUE TINHA MEDO DO VENTO

rodrigando, 21.10.09

 Pouco tempo depois de ter começado a trabalhar na Escola coube-me o serviço da portaria.

Um dia, em que fazia bastante vento, comecei a ouvir o choro aflitivo de uma criança. Pensei que algo muito grave estava a acontecer mas não. Apercebi-me que essa criança vinha em direcção à Escola pela mão de uma jovem aluna, que quase a arrastava atrás de si. A resistência que a criança fazia era enorme, quase tão grande como a determinação da mais velha em puxá-la.

Quando chegaram ao portão tive que intervir para saber o que se passava.

Nada de especial a não ser a pequenina ter medo do vento, a mais velha ter uma aula de educação fisica  a que não podia faltar e a mãe ter-se atrasado a chegar a casa.

 Consegui que a menina aceitasse ficar ao pé de mim, resguardada do vento, em vez de acompanhar a irmã.

Não foi fácil. A pequenina não me conhecia mas, entre ficar com uma desconhecida e suportar o vento que soprava, optou pelo que menos medo lhe metia. Eu.

Conversámos. Pensei que ela tinha apanhado algum susto, que tinha visto alguma desgraça na televisão, nesse ano tinham havido várias  mas não.

Tinha medo, pura e simplesmente.

Apesar do dia estar desagradável eu tinha a janela um bocadinho aberta e ela um cabelo loiro,comprido e lindo.

Lembrei-me de lhe dizer que não tinha por que ter medo porque o vento era amigo e até queria brincar com ela. Claro que não acreditou. Devagarinho, consegui fazê-la chegar mais perto da janela aberta para ela ver o vento a brincar-lhe com o cabelo.

Muito a medo fê-lo.  O vento levou-lhe o cabelo para o nariz, fazendo-lhe cócegas. Aproveitei para mais uma vez lhe dizer que era ele a brincar com ela. Mostrei-lhe o vento a brincar também com as folhas das árvores.

A pouco e pouco ganhou confiança, percebeu que não havia razão nenhuma para ter medo e, perante a surpresa de todos, quando a mãe chegou a menina estava no campo a ver o jogo da irmã.

Vim a saber  depois que esta menina até já tinha tido apoio clinico, sem resultado.

Um dia, bastante mais tarde, disse-me que a médica não tinha vento no consultório.

Pois é, esta menina entrou este ano na Faculdade.

Há dias foi à Escola visitar-nos, falámos disto, rimo-nos as duas. Não sei em que área entrou mas, se tiver sido para medicina espero que, se alguma vez tiver uma situação idêntica, se lembre de ter vento no consultório.

 

                                                                                                  

 

 

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